|
P.e Ramiro dos Anjos Marta
|
|
Texto da comunidade paroquial de
Nª Srª das Graças
- Praia Grande / Brasil
O
sorriso discreto e a voz mansa do padre Ramiro dos Anjos Marta, 74 anos, não
deixam transparecer o imenso tesouro de experiências, vividas durante 50 anos de
sacerdócio, celebrado no último dia 5 de Janeiro. Ordenou-se a 5 de Janeiro de
1952. Morando na Paróquia N. S. das Graças, em Praia Grande desde 1995, o início
da história vocacional de Pe. Ramiro nos leva à cidade de Macau, na China, em
meados de 1948. Filho de José António e Teresa, nascido em Bemposta, a 17 de
Janeiro de 1928, Portugal, de uma família de nove irmãos, o garoto Ramiro entrou
para o seminário aos 12 anos, já sabendo que sua missão seria realizada em
Macau. Cursou a Filosofia em Leiria, próximo a Fátima e terminou a Teologia, na
China. Lá se ordenou em
05/12/1952,
e trabalhou durante 32 anos. “Meu principal trabalho foi no
Seminário. Fui prefeito geral da disciplina e também professor. Naquela época
eram
mais de 130 jovens, entre chineses e portugueses, o que exigia da gente bastante
empenho”. Nesse período, Pe. Ramiro acompanhou, sobretudo, as mudanças trazidas
com a revolução socialista de 1949, com Mao Tse Tung. “Não era fácil a missão,
pois a cultura chinesa é muito diferente da portuguesa, mas a comunidade
católica sabia viver a fé com muita simplicidade”, explica. Do outro lado do
mundo Em 79 voltou para Portugal, mas ficou pouco tempo, pois os familiares já
estavam no Brasil. Com a doença da mãe, achou por bem ficar mais perto, vindo
para São Paulo e Praia Grande, onde também tem irmão. “Acabei ficando a convite
de Pe. Élcio Ramos, e assumi a comunidade do bairro Solemar, em 81. Na
comunidade ajudamos a construir a Igreja, a casa paroquial, o salão comunitário,
além de vários trabalhos sociais junto aos carentes.” Trabalho semelhante foi
feito no Samambaia, onde também sempre atendeu. “Acho que o mais importante
nesses 50 anos de vida sacerdotal foi ir aprendendo, aos poucos como ser
sacerdote. É um mistério da Igreja que a gente tem de ir aprofundando. Agora
tenho uma ideia mais clara do mistério que a gente celebra. É pena que a gente
não pode voltar ao começo com a experiência que tem agora”, reflecte. Quanto ao
futuro, Pe. Ramiro continua disposto a trabalhar nas pastorais sociais, ajudando
no que pode e incentivando os mais jovens. “Acho que agora meu papel é mais o de
ajudar. Deixar que os sacerdotes mais jovens cumpram bem sua missão. Acho que
ainda hoje vale a pena ser sacerdote, porque a figura do missionário continua
atraindo os jovens. É um belo jeito de ser feliz neste mundo”, ensina.
Foto do
corpo docente do Seminário de S. josé de Macau, O 2º da esq para a drt, é o P.
Ramiro (19 Março de 1962)

|
[ Home Bemposta ] |
-
5
|
Cónego José Joaquim Campos |
|
O “apóstolo” do
meio rural
Mensageiro de Bragança
2006-08-10
Faleceu o Cónego José Joaquim Campos, um padre simples, humilde e
discreto; considerado, por muitos, a alma apostólica no meio rural da
diocese de Bragança - Miranda.
Nascido a 29 de Março de 1916 em Bemposta, José Joaquim
Campos entrou para o seminário de Bragança em 1930. Matriculou-se na
Universidade Gregoriana de Roma, no ano de 1939, para frequentar o curso
de teologia, mas, logo no ano seguinte viu-se obrigado a regressar a
Portugal, por ter “rebentado” a II Guerra Mundial. Em Julho de 1941,
terminando o Curso Teológico no Seminário de Bragança, foi ordenado
presbítero em Fátima.
O Pe José Joaquim Campos leccionou as disciplinas de
Português, Sociologia, Arte Sacra, Sagrada Escritura, Hebraico e
Patrologia no Seminário. Foi professor no Liceu Nacional de Bragança,
leccionou Educação Moral e Cívica na Escola do Magistério Primário de
Bragança, Religião e Moral no Colégio do Sagrado Coração de Jesus, onde
também foi Capelão e Director Espiritual.
Mas a obra mais relevante que efectuou foi a assistência à Juventude
Agrária Católica Feminina (JACF) em época do seu maior apogeu a nível
diocesano. Foi, ainda, assistente de todos os Organismos Femininos da
Acção Católica. Nas aldeias do Nordeste Transmontano, ainda hoje se
notam os efeitos apostólicos deste homem de Igreja. A maioria dos
colaboradores dos sacerdotes nos meios rurais, adquiriram a sua formação
humana e religiosa nas fileiras da Acção Católica.
O Cónego José Joaquim Campos foi, ainda, pároco de
Rebordãos tendo promovido uma assinalável reforma da novena de Nossa
Senhora da Serra. Abandonou as actividades pastorais em 1989, depois de
ter sofrido um acidente rodoviário, que o deixou bastante limitado para
continuar a garantir a assistências das comunidades que lhe estavam
confiadas.
Para além de todas as actividades apostólicas, pregação de sermões e
orientação de diversos retiros, ainda encontrava tempo para se dedicar à
escrita. Escreveu diversos poemas e peças de teatro, que eram levadas à
cena por toda a Diocese. Colaborou também com o Mensageiro de Bragança,
durante vários anos.
O Cónego Dino Parra na homilia da celebração referiu o
Cónego Campos como “um sacerdote que honrou sempre o Sacerdócio, o
Seminário que o ordenou, a Diocese que serviu e a Paróquia que o viu
nascer e crescer.”
Alberto Pais
|
|
[ Home Bemposta ] |
2
|
Margarida Cordeiro
|
|

Margarida
Cordeiro, natural de Bemposta, deu a conhecer um pouco mais da realidade de
Trás-os-Montes, através dos filmes (Trás-os-Montes e Ana),
divulgando costumes, tradições e paisagens naturais.
Casada com o cineasta António Reis, utilizou como
intervenientes nos seus filmes, naturais da aldeia, tais como: António -
pescador (Escalo) e D. Ana, sua mãe.
( Médica e Cineasta )
Ver:
Vida e obra de António Reis
Filme
- Trás-os-Montes
de
António Reis
e
Margarida Cordeiro
Realização
António Reis,
Margarida Martins Cordeiro
Som, Montagem
António Reis,
Margarida Martins Cordeiro
Director de Produção
Pedro Paulo
Director de Fotografia
Acácio de
Almeida
Laboratório de Imagem
Tobis
Portuguesa
Laboratório de Som
Valentim de
Carvalho
Produção
Centro
Português de Cinema, subsidiado pelo Instituto Português de Cinema
Interpretação
Habitantes de
Bragança (Bemposta) e Miranda do Douro Processo 16 mm - cor - 110 min.
Ano de produção -
1976.
Evocação de
uma província portuguesa, o Nordeste, onde as raízes históricas seculares se
confundem com as do país irmão que o Douro une.
As crianças, as mães, as mulheres, os velhos, a casa, a terra...
A vida de cada dia, o imaginário, as tarefas prestes a desaparecer, a
agricultura de subsistência...
A erosão, tempo e a distância.
A presença dos ausentes, de todos nós que partiram em direcção a outros
horizontes.
Um poema inspirado por Trás-os-Montes, interpretado pelos seus
habitantes.
UMA SÍNTESE
AMBICIOSA
Em relação a
«Trás-os-Montes», e do ponto de vista de realizador, parece-me de sublinhar até
que ponto um público comum estará preparado para receber este filme numa
exibição normal, visto que ele conduz, quase necessariamente, a um debate sobre
o que é cultura popular e um cinema não narrativa.
Outro
aspecto, importante, deve-se à qualidade humana e ao amor com que António Reis e
Margarida Martins Cordeiro se dedicaram ao levantamento de uma região, sendo,
talvez, das primeiras vezes na história do cinema português que um filme
estabelece urna síntese dialéctica ambiciosa quanto ao que os sociólogos chamam
de escultura popular»... a quantidade de interrogações que o filme põe ao
espectador mais avisado.
Por sua vez,
isto dá a «Trás-os-Montes», de António Reis e Margarida Martins Cordeiro, uma
posição muito forte e muito original na tentativa de encontrar - coisa que se
está a passar um pouco por todo o mundo - um cinema aberto, portanto um cinema
que questiona as próprias formas de linguagem cinematográfica, e mesmo as noções
de cinema de ficção, cinema de comunicação, por exemplo, para as fundir num todo
global.
Penso que um
trabalho dotado de tais características terá, sempre, dificuldades com o
público; por isso, filmes como «Trás-os-Montes» não há muitos por toda a parte e
os poucos que existem são, normalmente, escamoteados dos circuitos normais de
exibição.
Que
«Trás-os-Montes» tenha conseguido passar em Lisboa, mesmo numa sala de estúdio,
e mesmo ás sete da tarde é, apesar de tudo, uma vitória que, no entanto, só terá
sentido se o público fizer um esforço para acompanhar a obra, que é daquelas que
tendem, como todas a grandes do cinema, a criar um novo tipo de espectador.
Fernando
Lopes
UM
FRESCO EVOCATÓRIO
«Trás-os-Montes» é essencialmente documental, embora corresponda a uma visão
muito peculiar dos seus autores. Pode dizer-se que insere vários níveis duma
memória algo desencantada, que penetra no quotidiano, e reconstituição
fantástica de certos pormenores da história e tradição.
Trata-se,
melhor, duma fresco ao mesmo tempo crítico e evocatório, que apela para a
sensibilidade do espectador, ao mesmo tempo que lhe suscita um assumir de
consciência. Salienta-se, principalmente, o grande vigor da imagem, o que ela
transmite e sugestiona: as próprias «ausências» têm um indesmentível cariz
significante.
Assim,
Trás-os-Montes como país despovoado - a desoladora realidade do esvair
emigratório, ou como território localizado nos confins - logo, longe da atenção
dos governos «centrais»... Mas o filme colhe igualmente e transmite-nos toda a
ressonância cultural genuína e de alta dignidade, bem como a força generosa e o
carácter indomável dos seus naturais.
José de
Matos-Cruz
Filme - ANA
de António Reis
e Margarida Cordeiro
Argumento, Realização, Montagem
António Reis e Margarida Cordeiro
Textos
Rainer M.
Rilke, A. Reis e M. Cordeiro
Fotografia
Acácio de
Almeida e Elso Roque
Som
Carlos Pinto,
Joaquim Pinto e Pedro Caldas
Produção
António Reis
e Margarida Cordeiro
Interpretação
Ana Maria
Martins Guerra, Octávio Lixa Filgueiras, Manuel Ramalho Eanes, Aurora
Afonso e Mariana Margarido
Processo
16/35 min -
cor - 120 min
Naqueles dias...
A lenda do leite na casa sombria. Tempo interior.
Quase silêncio.
Luz. A natureza como imemorial casa exterior. Inverno.
O sangue recolhido nas duas mãos, mãe Ana.
As emoções da infância que nascem de novo, sob outras formas, com
outros rostos, outras.
O trabalho intenso para que as transmutações surjam e permaneçam na
obra inteira e já independente de nós.
António Reis e Margarida Cordeiro
|
[ Home Bemposta ] |
-
3
|
D. Manuel Martins
Manso
(5 artigos)
|
|
Bispo do Funchal e da Guarda
P. José de Castro, Bragança e Miranda
Nasceu em
Bemposta, concelho do Mogadouro, a 21 de Novembro de 1793; filho de António
Martins e de D. Isabel Manso, proprietários, moradores na mencionada povoação.
Formou-se em
cânones pela Universidade de Coimbra em 1819. Foi nomeado, sucessivamente,
cónego, chantre, governador do bispado e vigário capitular da diocese de
Bragança.
Enquanto governador, publicou três pastorais no ano de 1843: a primeira, a 17 de
Dezembro, a insistir sobre a concorrência do clero às palestras de moral; a
segunda, a 2 de Dezembro, sobre a fé católica e a prática da virtude; e a
terceira, a 23 de Janeiro de 1844, contra os párocos que eventualmente pregassem
doutrinas subversivas, opostas à Igreja ou às prerrogativas da coroa.
Como
vigário capitular publicou algumas pastorais: a 28 de Março de 1847, anunciou
que a Santa Sé dispensara os párocos, durante 10 anos, de aplicar as missas,
pro populo nos dias santos suprimidos; a 23 de Agosto comunicou o jubileu
concedido pelo Papa Pio IX; a 8 de Fevereiro 1848, reanimou o clero para uma
melhor compreensão dos seus deveres - compostura e honestidade de costumes,
ensino a doutrina cristã e solidariedade com as autoridades civis; a de Março de
1849, avisou que os pedidos à Nunciatura de dispensas gratuitas deviam ser
feitos pelos prelados; e a 14 de Março do mesmo ano, exortou os fiéis a
concorrer com esmolas para a comissão de subsídios organizada em Lisboa a favor
do Papa Pio IX.
A 22 de Janeiro de 1850, mandou ao Papa uma carta a dizer da grande devoção do
povo bragançano a Nossa Senhora sob todos os títulos e, especialmente, a Nossa
Senhora da Conceição, e que, tanto ele como o clero e o povo, se congratulariam
pela definição dogmática deste excepcional privilégio, perfeitamente de acordo
com o que havia escrito ao Internúncio em 26 de Outubro de 1849.
Foi elevado a
bispo, sendo colocado na diocese do Funchal, tendo sido nomeado e apresentado
por Dona Maria II, por carta régia de 4 de Dezembro de 1849 e confirmado pelo
Papa Pio IX.
Em 1858 é
transferido para a diocese da Guarda, da qual tomou posse a 29 de Julho de 1858,
tendo sido apresentado pelo Rei D. Pedro V, e confirmado pelo santo Padre Pio IX.
Faleceu e
está sepultado na Guarda, em 1 de Dezembro de 1878
O Bispo da Guarda
Atenciosamente A.B.Cordeiro (Mogadouro.com)
D. Manuel
Martins Manso , nasceu em Bemposta concelho de Mogadouro a 21 de Novembro de
1793, era filho de António Martins de Bemposta e Isabel Manso de To,
proprietários e moradores em Bemposta.
Formou-se em
cânones pela universidade de Coimbra em 1819, foi Chantre da Sé de Bragança,
onde exerceu por muitos anos o cargo de governador do Bispado e Vigário
Geral, foi elevado a Bispo tendo sido colocado na Diocese do Funchal por decreto
de 18 de Abril de 1858 como consta do seu epitáfio que diz. HIC JACET D.EMMANUEL
MARTINS MANSO NATVS 21 NOVEMBRIS 1793 ELECTUS EPISCOPUS FUNCHALENSIS 18 MAII
1849 CONFIRMATUS CONSISTORIO 28 DE MAII 1850 TRANSLATUS AD DIOCESIM EGYPTANENSEM
CONSISTORIO 18 MARTII 1858 DEFUNCRUS 1 DECEMBRIS 1878 REQUIESCAT IN PACE AMEN
Martins Manso trabalhou muito em prol da causa católica salientando-se o seu
trabalho na Diocese da Guarda pelo empenho na visita pastoral que fez a Covilhã
e sua região.
Quando ja nâo
podia devido a sua avançada idade fez continuar sua obra através de missionários
e de entre eles vale a pena destacar, Luis Prosperi e Jose Guerreiro que
realizaram várias missões pela diocese com grande resultado e apoio dos
paroquianos. A diocese da Guarda lhe deve a sua independência, porque tendo o
governo decretado a sua extinção por decreto de 1869 ele inspirou e dirigiu um
movimento de protesto por todo o bispado com apresentação a Pio IX e ao rei D.
Luís , que foi da máxima eficácia , sendo não só a diocese conservada aquando da
circunscrição diocesana de 1882 mas até ampliada com Pinhel e parte de Castelo
Branco.
( queria
pedir para que fosse feita uma rectificação sobre os dados deste prelado pois
numa lapide de uma rua na Vila esta com quase 100 anos a menos)
D Manuel Manso – Bispo do Funchal e da Guarda (1)
Manuel Cordeiro - Professor da UTAD (Mogadouro.com)

Foi no ano de
1793, no dia 20 de Novembro que nasceu aquele que viria a ser uma personalidade
de destaque na igreja portuguesa. Bemposta foi a aldeia que teve o privilégio de
ver nascer o que viria a ser Bispo do Funchal e, posteriormente, da Guarda. Era
filho de António Martins e Isabel Manso, ele natural da freguesia de Bemposta e
ela da freguesia de Tó, ambas pertencentes ao concelho de Mogadouro. Seus pais
casaram no dia 24 de Maio de 1792, sendo oficiante o Padre Manuel Cordeiro. Foi
baptizado na igreja Matriz e seus padrinhos foram o Padre Manuel Marcos Cordeiro
de Bemposta e Maria Marcos de Tó. Era Bispo de Bragança D. António Veiga Cabral
e Câmara.
Os pais,
agricultores abastados, tiveram quatro filhos. Manuel e o Francisco. A exemplo
do que acontecia com as famílias de relevo à altura, os pais fizeram Declaração
de Genere (Arquivo Episcopal de Bragança, Caixa 236, Processo 4139) de três dos
filhos, tendo chegado à condição de padre o Manuel e o Francisco.
Depois de
fazer os estudos da escola primária em Bemposta, ingressou no Seminário de
Bragança onde concluiu Teologia. De seguida foi para a Universidade de Coimbra
onde frequentou o curso de Direito Canónico tendo obtido o grau de Bacharel no
ano de 1822. Regressou a Bragança e foi ordenado Padre nesse mesmo ano.
D. Manuel
Manso, pela visibilidade que teve deu um contributo importante para que a
família a que pertencia se tornasse ainda mais conhecida e continuasse a ser uma
família, no verdadeiro significado que a palavra encerra. A união, por
casamento, de elementos da sua família com as famílias Cordeiro, Ferreira e
Neves, permitiu construir uma unidade entre os seus elementos, por casamento,
que perdurou até hoje.
As qualidades
intelectuais, a sua forte personalidade e o seu jeito peculiar para o exercício
do sacerdócio, auguravam-lhe um futuro promissor na sua carreira eclesiástica.
Não espanta pois que no ano em que foi ordenado sacerdote fosse nomeado Vigário
Geral do bispado de Bragança e, depois, Cónego da Sé de Bragança. Em 15 de Maio
de 1825 foi nomeado Chantre da Sé Catedral; em 29 de Dezembro de 1829 Provisor;
em 17 de Maio de 1830 Examinador Sinoidal e em 14 de Maio de 1832 Vigário
Capitular.
No ano de
1834, muito difícil para a igreja católica, delegou as responsabilidades que
detinha, noutro sacerdote eleito pelo Cabido. Segundo alguns estudiosos do seu
trajecto, como o Dr. Pinharanda Gomes no seu livro sobre a sua vida, este
estratagema foi por ele usado para iludir os liberais, continuando a ser ele, na
prática, o vigário de facto sendo chamado o “vigário oculto”, no círculo dos
membros da igreja em Bragança.
Teve que
resolver muitos problemas para lá dos inerentes ao funcionamento de uma diocese
católica. Com a sua ponderação e com a consideração que por ele tinham os seus
comandados, foi resolvendo todos esses problemas. Antes de ser nomeado Bispo do
Funchal, escreveu uma carta ao Papa Pio IX (26.10.1849) apoiando a proclamação
do dogma da Imaculada Conceição de Maria.
D Manuel Manso – Bispo do Funchal e da Guarda (2)
Manuel Cordeiro - Professor da UTAD (Mogadouro.com)
O
exercício do seu episcopado na diocese do Funchal não foi fácil.
Devido à sua forte personalidade e à sua atenção permanente aos seus diocesanos,
enfrentou alguns problemas durante esse período. No jornal A Ordem de 8 de
Janeiro de 1853 pode ler-se uma carta do Cónego Nery, muito contestatário da
actuação do Senado da Igreja do Funchal aquando da realização de um
Te Deum na Sé Catedral em honra do
Visconde de Fornos de Algodres, Senhor José Silvestre Ribeiro, ex-Governador da
Madeira, e que tinha sido nomeado Par do Reino. A razão desta polémica teve a
ver com o facto de o Bispo D Manuel Manso não ter autorizado a celebração de um
Te Deum em obséquio de Sua
Majestade Imperial, a Senhora Duquesa de Bragança, que aqui chegara com a sua
“Ilustre Filha enferma”, com o objectivo de esta melhorar com os ares saudáveis
da Madeira. Dizia este clérigo que tal Te
Deum era inconveniente, desnecessário, lisonjeiro, bajulador,
faccioso, ridículo, cabralino, ofensivo ao novo Governador, ultrajante ao
Governo da Capital e imprudente.
Estas
afirmações foram extemporâneas como pode ver-se pela resposta que o Marquês de
Resende deu, aclarando o que se tinha efectivamente passado. Não tinha sido o
Bispo que recusou a celebração do Te Deum.
Foi a pedido da Imperatriz que isso aconteceu pois esta manifestou o desejo de
adiá-lo para quando a Princesa Dona Maria Amélia estivesse em estado de a ele
assistir. O Te Deum acabou por
se realizar no dia 4 de Janeiro de 1853, no dia de aniversário de Sua Majestade
a Rainha. No jornal A Ordem do dia 5 pode ler-se: às onze horas e meia cantou-se
Te Deum na Catedral oficiando
S. Excia Reverendíssima o Bispo da Diocese, D, Manuel Manso. Estiveram presentes
a Câmara Municipal, as autoridades civis, militares e judiciais, alguns cônsules
e outros cidadãos. À saída deram-se as descargas do costume, vivas ao Rei e
houve iluminação.
Este episódio
é elucidativo das “guerras” que havia no seio da igreja funchalense. Foi neste
ambiente que ele teve que desenvolver o seu episcopado.
A permanente
atenção que dedicava aos problemas que envolviam os seus diocesanos estão
espelhados no texto que se segue, do dia 26 de Julho de 1851 publicado no Jornal
Correio da Madeira que diz: “Exmo. Senhor Administrador do concelho do Funchal:
tenho a honra de acusar a recepção do ofício de V. S. de 4 do corrente, e de lhe
participar que em virtude da certeza que V. S. por ele me deu da existência do
terrível flagelo da Chell morbus
na ilha quase vizinha da Grã Canárias, fiz expedir aos Reverendos párocos da
diocese para fazerem preces por 3 dias, exortando os seus paroquianos a
assistirem a elas, acompanhando-os com fervorosas orações …”.
D. Manuel
Manso era uma pessoa muito simples. Diz-se que, em consequência disso, nunca
ocupou o Paço Episcopal. Os seus donativos a instituições da igreja na Madeira
eram muito frequentes. No texto publicado no Jornal A Ordem de 19 de Junho de
1858, aquando do seu regresso a Portugal continental, tendo com destino a
Diocese da Guarda pode ler-se o seguinte: no dia 13 do corrente mês pelas 11
horas da manhã embarcou no Brigue Galgo para Lisboa Sua Excia Reverendíssima o
Sr. D. Manuel Martins Manso que foi transferido desta Diocese para a da Guarda.
Sua Excia deixou aqui as mais lisonjeiras impressões sobre as suas muito
reconhecidas virtudes. Prelado mais sisudo e respeitável pelo seu carácter, não
ocupou o paço Episcopal. Consta-nos que fizera muitas esmolas antes da sua
partida, além das que costumava fazer habitualmente e sem a menor ostentação…foi
acompanhado no trajecto até ao barco, por um grande número de pessoas de todas
as classes entre as quais o Brigadeiro Baldy, uma deputação do Cabido …”. Também
o acompanhou ”o General Pierce, ex-Presidente dos Estados Unidos da América…”.
Este estivera na ilha para que a sua esposa beneficiasse do excelente clima que
ali existia. Pode ler-se ainda que ”o Reverendo prelado foi conduzido ao barco
na galeota do governo, tendo sido dada uma salva de 21 tiros quando a galeota
passava em frente da fortaleza do ilhéu”.
Terminava
assim a etapa da sua vida de Bispo do Funchal e iria iniciar-se outra, bastante
importante pelas lutas que teve que travar para manter a Diocese para onde fora
transferido, a da Guarda.
1854 - O
prelado diocesano D. Manuel Martins Manso, que neste ano visitou a paróquia de
Santo António da Ilha da Madeira, a 23 de Setembro, crismou 187 pessoas.
D Manuel Manso – Bispo do Funchal e da Guarda (3)
Manuel Cordeiro - Professor da UTAD (Mogadouro.com)
Por motivos de saúde resignou do bispado do Funchal, tendo sido colocado na
diocese da Guarda em 18 de Março de 1858 até à sua morte. Aqui desenvolveu um
conjunto de actividades que muito contribuíram para que o seu nome ficasse
ligado a algumas delas, muito importantes para a diocese e seus habitantes. A
renovação do Seminário, a evangelização da diocese com a vinda de missionários
contratados, a luta contra o avanço do protestantismo que na época se instalava
na diocese, tendo para o efeito condenado as denominadas “bíblias falsas”, a
restauração de parte da Sé, foram algumas das suas medidas para repor a diocese
no lugar que lhe era devido. O seu maior desafio, a manutenção da diocese da
Guarda, venceu-o com a ajuda do sobrinho Francisco, licenciado em Direito e,
posteriormente, ordenado Padre e, mais tarde, Chantre da Sé e o braço direito do
tio, sendo mesmo, por muitos, considerado o mentor de muitas das iniciativas que
o tio levou a cabo. Quando D Manuel chegou à Diocese da Guarda encontrou uma
pobreza social muito visível Para amenizar estes problemas associou-se à
fundação do Asilo de Infância Desvalida, iniciativa do Governador Civil Sande e
Castro. A partir daí muitos sacerdotes testamentaram parte dos seu bens para
ajudar o Asilo. Apoiou o Comissário de Polícia, Geraldo Batoreu, a fundar a
primeira Corporação de Bombeiros tendo, mais tarde, o bispo D Tomaz doado uma
casa para instalar a sua sede. Revitalizou o Seminário dando-lhe a dignidade
merecida e tornando-o uma instituição valorizadora dos seus estudantes. Quando
ele chegou os professores recebiam muito abaixo dos professores do ensino
liceal. Com a sua acção esta situação alterou-se e passaram a receber o mesmo.
Para isso promoveu uma reforma curricular e económica, passando a receber mais
do dobro dos alunos que até então o frequentavam. A maior parte destes alunos
eram de origem pobre e não pagavam quaisquer propinas. A sua acção foi também
decisiva para a constituição de um corpo docente de qualidade. Para isso
recorreu à sua família interessando vários dos seus sobrinhos a viver na Guarda.
Os seus sobrinhos Francisco Manso, João Manso, José Manso, João Cordeiro e
Francisco Cordeiro, ficaram intimamente ligados ao Seminário. Alguns deles
ocuparam o cargo de Reitor e Vice-reitor. A importância da sua família na Guarda
fica bem evidenciada pelos cargos de grande influência religiosa e civil que
muitos deles ocuparam. Entre 1870 e 1892, ele era o bispo, o Francisco Manso,
Chantre da Sé, o João Manso, Governado Civil e Juiz Auditor Administrativo em
Aveiro, o João Cordeiro, Vice-reitor do Seminário, o Francisco Cordeiro, Reitor
do Seminário e o José Manuel Manso, Presidente da Câmara Municipal e, mais
tarde, Visconde de Vale Pereiro, Alfândega da Fé. Foram vários anos de hegemonia
da família Manso e Cordeiro na cidade da guarda, longe da terra natal das duas
famílias, Mogadouro e Alfândega.O grande combate da sua vida foi a oposição à
extinção da Diocese da Guarda, previsto na reorganização nacional das dioceses.
Foi uma batalha que ganhou, muito apoiado pelos sobrinhos, especialmente o
Francisco, considerado o grande obreiro da luta travada para vencer a ideia de
acabar com a diocese que já vinha de há algum tempo. Para evitar isso D. Manuel
Manso dirigiu um amplo movimento de forças vivas da cidade e da região
contestando essa decisão. Foi uma batalha muito dura com vitória para D Manuel.
Morreu, sem que oficialmente nada tivesse sido decidido, embora se diga que, ao
morrer, já sabia que a extinção estava posta de parte ( Pinharanda Gomes). E,
com efeito, a reforma das dioceses (1881) manteve a da Guarda. O solar da Rua
Direita onde viveu em família com todos os seus sobrinhos, foi palco das
decisões que muito contribuíram para o governo da diocese. Morreu em 1 de
Dezembro de 1878. Jaz no cemitério da Guarda.
|
[ Home Bemposta ] |
4
|
Vigário Francisco Manuel Martins Manso
|
|
Bragancanet.pt
Vigário Capitular (e Chantre da Sé) da Guarda
Nasceu na
freguesia de Bemposta, concelho de Mogadouro, em 19.2.1836, falecendo em
1.9.1907. Licenciou-se em Direito pela Faculdade de Coimbra, em 1857.
Nessa altura era Bispo da Guarda seu tio D. Manuel Martins Manso, que o convidou
a fixar-se na Guarda, onde precisava dele. Francisco Manso faz, então, um curso
teológico e é ordenado padre, em 1859, na Sé da Guarda, por seu tio.
Acompanhou-o, depois, cerca de 20 anos, como secretário pastoral. E, aquando do
jubileu de Pio IX, por Provisão de 23.5.1875 e por Pastoral de 1877, o P.e
Francisco Manso chegou a actuar como se fosse bispo coadjutor do tio. Foi eleito
Vigário capitular em sessão de 8.12.1878. Quando D. Manuel Manso estava
convencido de que pouco tempo lhe restava de vida, quis designá-lo para bispo
auxiliar. Chegou a iniciar o processo junto da Nunciatura. Mas quando o tio se
abriu, sobre isso, para com o sobrinho, este disse-lhe abertamente que não
desejava ser bispo. Como Vigário Capitular (e Chantre da Sé), governou o bispado
de 1.12.1878, até 12.10.1883, data em que é empossado o novo bispo: D. Tomaz
Gomes de Almeida. Tinha nessa altura 47 anos de idade o P.e Francisco Manso.
Continuou a usar para com o novo bispo da lealdade de que usara para com o tio.
Ficou conhecido pelo seu desprendimento dos bens terrenos e pela sua grande
dedicação à fé. Foi Cónego em 1878. Encabeçou o movimento pela não-extinção da
Diocese da Guarda, no que foi bem sucedido. Publicou diversos documentos
pastorais em nome de seu tio.
|
[ Home Bemposta ] |
6
|
Fátima Fernandes (arquitecta)
|
|

A arquitecta
Fátima Fernandes, nascida em Bemposta Mogadouro, em 1961, desenvolve a sua
actividade na
CANNATÀ & FERNANDES arquitectos Lda.
O atelier
desenvolve projectos nas áreas de arquitectura, planeamento e urbanismo, design,
design gráfico e serviços de engenharia em regime de subcontratação directamente
relacionados com a actividade principal de arquitectura. Desenvolve também uma
importante actividade editorial através da edição de livros e comissariando
exposições e seminários internacionais de arquitectura.
Têm sido
distinguidos com vários prémios nacionais e estrangeiros o que realça a
qualidade do trabalho realizado. (ver
curriculum)
1979-1986 Estuda na Escola Superior de Belas Artes do Porto onde
conclui o curso de Arquitectura.
1984 Faz estágio em Itália, acompanhada pelo prof.
Arq. Manuel Mendes.
1990-1992 Arquitecta Responsável pelo Gabinete de Apoio ao
Centro Histórico de Miranda do Douro.
Desde 1996 Professora da Secção de Arquitectura (Arquitectura V)
na Escola Superior Artística do Porto. ESAP.
2003 Dá início ao Doutoramento na Escola Técnica
Superior de Arquitectura da Universidade de Madrid.
|
|
[ Home Bemposta ] |
7
Lourenço Marcos Cordeiro
Foi Juiz em Mogadouro e também
pertenceu à vereação da Câmara.
Nasceu em
Bemposta, estudou no Colégio das Artes ou Colégio Real das Artes e Humanidades
de Coimbra, em 1814, Filosofia e Latim e
licenciou-se em Direito pela Universidade de
Coimbra.
Manuel Cordeiro
(Mogadouro.com)
|