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Os pelourinhos, na historiografia nacional, têm
sido normalmente associados a um acontecimento histórico, no entanto, não
poderemos esquecer o seu valor artístico.
Estes monumentos, que eram colocados num lugar público, estavam
ligados à concessão de foral.
Esta carta foral, outorgada por um monarca, concedia aos
habitantes de uma localidade, privilégios em matéria de organização
política, social e jurídica.
Era também utilizado como um instrumento do direito foral e aí
eram feitos os julgamentos e mais tarde, “ local do costume”, onde eram
colocados éditos e alvarás.
A sua estrutura é constituída por uma plataforma, uma base, uma
coluna e um remate. Neste último elemento concentram-se essencialmente os
motivos decorativos Na sua construção eram utilizadas matérias primas da
região.
- O pelourinho de Bemposta (foral de 1512) é em granito e é um
dos mais simples no estilo “pinha”. Tem uma base circular assente sobre dois
degraus quadrangulares. Fuste cilíndrico, formado por duas pedras de alturas
desiguais, com um escudo das armas de Portugal, na parte superior. Capitel
em forma de quatro “braços” e pinha cónica. Está em bom estado de conservação e pode ser visitado.
O pelourinho
da Bemposta terá sido erguido na sequência do foral manuelino, de acordo com a
sua tipologia, e principalmente pela comparação feita com outros monumentos
semelhantes no mesmo concelho, nomeadamente o de Azinhoso, com alguma decoração
primo-quinhentista. (1)
Este modelo, conhecido como "Bragançano",
porque se considera inspirado no pelourinho
de Bragança (CHAVES, Luís, 1938), foi
plasmado em muitos monumentos da região, ...
(1)
Há uma característica peculiar neste pelourinho, as armas
portuguesas estão ao contrário.
É corrente ouvir-se que essa situação se
deve a um castigo aplicado por D. João I.
Acreditando nos especialistas que dataram o
pelourinho, chegamos à conclusão que é
impossível isso ter acontecido, pois esse
nosso Rei é anterior à sua construção.
As Forcas
Se muitos dos pelourinhos serviram de forca,
está posta de parte, a execução desse suplício, neste símbolo do poder e da
autonomia, na aldeia Bemposta.
No entanto
também possuía esse instrumento.
Era comum,
esta forma de exercer a justiça, ser num local arejado e alto, para ser
visto e servir de exemplo a outros. Ainda, hoje, existe a toponímia do “
Cabeço das Forcas”, junto à aldeia, onde se localiza, actualmente, o
depósito de abastecimento de água.
Contudo por determinação de D. Dinis, quem prestasse falsas declarações em
tribunal, deveria ser conduzido até junto do pelourinho, e lhe fosse cortada a
língua.
(1)
Malafia, E. B. de Ataíde "Pelourinhos
Portugueses, Tentâmen de Inventário Geral" Lisboa 1997
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